semana horribilis

Terminei o part-time de levantamento sobre o mercado (argh!) e problemas urbanos brasileiros! Foi a primeira vez que trabalhei com japoneses num esquema just-in-time, eu achava que pesquisa e levantamento eram feitos com prazos mais dilatados. O fato é que isso me levou a exaustão, afora os outros problemas que me estressaram também! A recompensa foi um pagamento razoavelmente bom. Hoje entraram em contato novamente, pois o cliente solicitou a continuação da pesquisa.
No finde tentei descansar, pois ultimamente estou muito tenso.
No domingo fui numa exposição de pintores modernistas do período do século 20 de que eu mais gosto. Apesar de ser domingo o museu não estava lotado de velhinhos japoneses ávidos por consumir arte, o que permitiu contemplar um quadro pontilhista a cinco metros de distância. Há tempos que não ia a uma exposicão de arte de qualquer tipo, foi bom.
Depois fui a uma clínica de massagem, a mesma que fui uma vez há uns dois anos atrás, post aqui. Desta vez foi uma sessão de quarenta minutos. Quando terminou a sessão de massagem fiquei com uma sensação de que boa parte do cansaço sublimou, além disso bateu um sono, um sono, que se eu caísse em qualquer lugar dormia!
Da coluna 'toda mídia' da folha de hoje:As esposas japonesas são um exemplo de abnegação:BABÁ ELETRÔNICA
Com o Twitter ecoando também por lá, o "Times" de Londres deu reportagem sobre tão estranha "necessidade de contar tudo o que você faz para todo o mundo o tempo todo". Ouviu psicólogos, para quem o site reflete esta "era narcisista" em que é preciso que outros "o reconheçam, do contrário você deixa de existir". Para o escritor Alain de Botton, "é uma forma de provar permanentemente que se está vivo", como quando pais checam se o bebê respira, à noite. "É uma babá eletrônica gigante."
A pergunta que não quer calar: por que a sra. Naoko não procura um part-time para ajudar no orçamento familiar?"Meu marido vai se aposentar dentro de cinco anos, e estou muito preocupada", diz a mãe de Masaki, Naoko, 52. O marido, funcionário público, receberá um polpudo pacote de aposentadoria, mas sua pensão mensal pode vir a cair. "Quero que ele encontre outro emprego e que trabalhe enquanto conseguir", diz Naoko.
Abaixo o artigo completo do new york times.Cautela e avareza sabotam economia do Japão
Há muita gente dirigindo carros velhos e racionando legumes
Por hiroko tabuchiTóquio - Enquanto os norte-americanos, preocupados com a recessão, se adaptam à frugalidade, o Japão mostra como a frugalidade pode acabar dominando uma sociedade de consumo, com efeitos desastrosos.
A doença econômica que afetou o Japão entre a década de 1990 e o começo dos anos 2000 causou atrofia salarial e perda no valor das ações, transformando consumidores em avarentos que são um peso morto na economia do país.
Ainda hoje, anos após a recuperação, mesmo as famílias japonesas bem de vida reaproveitam a água do banho para lavar roupa. As vendas de uísque, bebida favorita dos habitantes endinheirados de Tóquio na década de 1980, são atualmente um quinto do que foram no auge. E o país está se desinteressando dos carros -as vendas caíram pela metade desde 1990.
A família Takigasaki, que vive em Nakano, subúrbio de Tóquio, faz de tudo para poupar um ou dois ienes. Embora a família tenha uma poupança confortável, Hiroko Takigasaki, 49, raciona os legumes. Quando exagera numa semana, recorre à sua saída econômica: cozido de repolho.
O marido dela tem um emprego bem pago na Fujitsu, gigante do ramo eletrônico, mas ela diz que não sabe "quando o machado vai cair". "Precisamos poupar muitíssimo mais."
O Japão acabou superando a década perdida dos anos 1990, graças em parte a um boom de exportações para os EUA e a China. Mas, mesmo quando a economia crescia, os consumidores, em choque, se recusavam a gastar. Entre 2001 e 2007, o consumo per capita aumentou só 0,2%.
Agora, com o enxugamento das exportações devido à crise mundial, a economia japonesa está se enfraquecendo rapidamente porque não pode contar com o consumo doméstico para se recuperar. No último trimestre de 2008, a economia japonesa encolheu a uma taxa anualizada de 12,7%, maior declínio desde os choques do petróleo na década de 1970.
"O Japão é tão dependente de exportações que, quando os mercados externos se desaceleram, a economia do país balança", disse Hideo Kumano, economista do Instituto de Pesquisa Dai-ichi Life. "Na superfície, o Japão parecia ter se recuperado da sua década perdida. Mas na verdade entrou numa segunda década perdida -a do consumo perdido."
Os japoneses tiveram boas razões para cortar gastos. Talvez a mais importante é que o salário médio do trabalhador tenha encolhido nos últimos anos, mesmo depois que algumas empresas recuperaram seus lucros.
Cerca de 48% dos trabalhadores com até 24 anos ocupam vagas temporárias. Tendo virado adultos numa época de mercado profissional apertado, eles tendem a evitar o consumo excessivo.
"Não estou interessada em grandes gastos", diz a universitária Risa Masaki, 20, vizinha da família Takigasaki. "Só quero uma vida humilde."
O envelhecimento populacional tampouco contribui com o consumo. As empresas esperavam que os integrantes da geração do baby boom fossem esbanjar a poupança da vida inteira ao se aposentarem, o que não está ocorrendo na escala prevista.
Economistas atribuem a moderação nos gastos à disseminada desconfiança em relação ao sistema previdenciário, que está cedendo ao peso do rápido envelhecimento populacional.
"Meu marido vai se aposentar dentro de cinco anos, e estou muito preocupada", diz a mãe de Masaki, Naoko, 52. O marido, funcionário público, receberá um polpudo pacote de aposentadoria, mas sua pensão mensal pode vir a cair. "Quero que ele encontre outro emprego e que trabalhe enquanto conseguir", diz Naoko.

No comments:
Post a Comment