Inferno de Dante
Depois de muito divagar, resolvi fazer um cartão de visitas que ficou pronto sexta-feira passada. Da última vez que estive por aqui eu mandei fazer e quase não usei, desta vez que não tive tempo de pensar nisso, sempre que encontro um mestrando, doutorando, etc, recebo um cartão! Como não podia deixar de ser foi quase uma novela, na primeira loja que eu fui o cara que me atendeu foi muito ignorante e usou uma desculpa furada pra não aceitar o trabalho, ele disse que a fonte que estava usando poderia nao existir na gráfica, detalhe a fonte raríssima era a Arial. Fiquei muito P. da vida!!! Em compensação, numa loja de revelação de fotos, o balconista que me atendeu foi bem simpático, chegou até a telefonar depois pra confirmar alguns dados, isso me fez rever a minha visão sobre os japoneses. (hahaha!) Como nada é perfeito, a impressão não ficou boa, fazer o que...
Sábado fui num café, projetado pelo prof Goichi, pai do Rei, onde os móveis foram feitos com feno e recobertos com barro. Foi o pessoal que participou do workshop que me convidou, pois no sábado haveria um evento em que as luzes seriam apagadas e por durante duas horas a iluminação seria feita só por velas (obviamente foram só alguns lugares que aderiram ao evento). A luz de velas houve a apresentação da banda UooMoo, estilo world music, que usa instrumentos de vários países para compor suas músicas, lembrou-me um pouco o Hermeto Pascal. No café, eu não li o cardápio inteiro, mas o suco de maçã era orgânico e custou 500 ienes, quase 5 dólares! É difícil encontrar vegetarianos japoneses, muitos europeus que eu conheço são vegetarianos, mas existe várias lojas de produtos orgânicos por aqui. Também tem muito toufu, eu sei que alguns burajiru-jin não gostam, mas como é barato, custa bem menos que o suco de maçã orgânico e no Brasil um pedaço de 1 kilo (?) custa por volta de 7 reais, o teishoku vem sempre com toufu no misoshiru e yakko (pedaço de toufu).
A Aya e eu voltamos ao Parque de Yoyogi e não é que tem mesmo um brasileiro morando no parque! O cara é meio porra-louca (para morar num parque só podia!) e parece que ele é cameraman, fotógrafo, documentarista, e afins, mas não deu pra levar uma conversa muito civilizada, porque o cara é do tipo de brasileiro que fala gritando e não ouve muito o que você tem a dizer. Desta vez nos ofereceram um chá africano, como era fervido, experimentei. Um dia desses vão nos servir chá de cogumelo!!! (hehehe)Vou participar de um levantamento sobre uma nova política que o governo metropolitano quer implantar para acabar com a população de rua. Pelo que eu entendi o morador de rua vai para um centro de assistência, onde recebe suporte por 2 meses, período no qual tem que conseguir um emprego, caso contrário tem que sair do centro. A explicação ficou meio tosca, mas não é preciso ser especialista para perceber que não vai dar muito certo. O objetivo do levantamento é tentar comprovar essa hipótese.
Preenchi um questionário de pesquisa da Big Issue Japan e fui sorteado, recebi uma camiseta de algodão orgânico e uma sacola de compras, produtos 'fair trade' (comércio justo). Eu acho que pouca gente respondeu a enquête, portanto o número de concorrentes deve ter sido irrisório, mas como fui um dos ganhadores só tenho a agradecer e o algodão da camiseta é bem gostoso de se vestir.
Começou o verão e com ele o meu tormento. Eu amaldiçôo todos os arquitetos modernistas e o telhado jardim! Estou morando no último andar e a laje não é protegida por um telhado, a circulação de ar não ajuda, então meu quarto vira um forno! Vocês lembram da FAU? Pois é, é bem parecido. Como não posso deixar o ar-condicionado ligado direto, pois faz mal para saúde do corpo e do bolso, estou a maior parte do tempo na facu que tem ar-condicionado! O pior é sair para rua, depois de um banho tomado, e ficar ensopado de suor! Mas vou parar de reclamar, pois faz mal para minha gastrite de estimação!Terminei de ler o livro 'kikansha sensei' [機関車先生] e agora estou procurando um livro de bolso do Kenzaburo Oe, prêmio Nobel de Literatura. que li para a aula de redação. Só li o primeiro capítulo e gostei bastante, deve ser um pouco diferente dos outros livros dele, pois foi escrito especialmente para os jovens japoneses



