Monday, 7 November 2005


Ipod is...


Depois de muito pensar acabei por comprar o Ipod de quinta geração, principalmente por causa do podcast. A possibilidade de poder baixar programas de rádio, principalmente para estudar uma língua estrangeira foi um dos motivos da escolha.
Mesmo achando roubada assistir a um video numa tela tão pequena, resolvi brincar e baixei dois videoclips da Apple Music Store, um do U2 e outro do Gorillaz. E para minha surpresa a resolução é boa, assistir algo curto como um videoclip nem é ruim e o preço de 300 ienes não é absurdo, equivale a comprar dois pet bottles de 150 ml, ou uma lata de cerveja, ou um maço de cigarros. Para quem quiser um parâmetro melhor para comparar o Bigmac custa 250 ienes.
Não sei se um longa-metragem funcionaria tão bem no Ipod, mas pensei na possibilidade de assistir a um filme em viagens de longa duração, por exemplo numa viagem de volta para o Brasil com duração de 30 horas ou mais. De qualquer forma, pode ser que funcione, visto que os celulares de última geração funcionam como aparelhos de TV.
Só sei que estou feliz com meu brinquedo novo :)))

ouvindo:[คือฉันรักเธอ:แมว จิระศักดิ์ ปานพุ่ม]

Monday, 31 October 2005

Mrs. Yen


A Yoko Ono sempre foi acusada pelos seus detratores de ganhar dinheiro às custas da memória de seu finado marido Jonh Lennon. Legalmente ela tem esse direito, pois é a sua herdeira legal. Por estas bandas a última notícia que tive sobre como fazer dinheiro com Lennon foi a inauguração do Museu John Lennon, em Saitama, província próxima a Tóquio.
Qual não foi minha surpresa ao ver o comercial "Photo is"da Fujifilm com Mrs. Ono dizendo que: "Photo is ...(corte para uma foto do casal abraçados)...love, Photo is ... (foto de John)...you, ...message..., ...memory..., ...smile..., ...peace. Photo is ...(pausa dramática)... Fujifilm!!!
Well, eu achei que aí já é tripudiar com a memória do finado!

ouvindo: [imagine:john lennon]

Sunday, 30 October 2005

Hard Days
Para variar um pouco esse semestre estou com um "hard schedule". Afora as aulas na Waseda, voltei para meu antigo "part-time job" e estou estudando "Academic Writing" no British Council. As aulas no British Council são engraçadas, pois os alunos japas não costumam fazer perguntas durante as aulas, and so the class is bit boring.
Esta semana comprei um dicionário eletrônico pela internet e só depois de fazer o depósito no banco avisam-me que não há o produto no estoque e a previsão de entrega é para a primeira quinzena de novembro. Obviamente, eu posso cancelar o pedido se eu quiser, foi uma das opções que me deram, mas depois de ter pago esperar o reembolso para fazer uma nova compra é trabalhoso. Portanto decidi esperar, o pior é que escolhi o modelo mais caro, o que continha o melhor dicionário de inglês, não é possível que tenha tanta saída assim!
Terça passada fui renovar minha carteira de sócio do Cine Libre, sendo sócio toda vez que compro um ingresso acumulo pontos e quando completo 1000 pontos posso assistir a um filme de graça. Assisti "Yesterday Once More", filme de Hong Kong, médio legal, divertido, sem grandes pretensões. Achei a atriz Sammi Cheng parecida com a Dri, namorada do Márcio. Quem quiser ler o "review" do filme é só clicar aqui.

ouvindo: [save a prayer:duran duran]

Sunday, 16 October 2005

Terra em Transe 3
Ultimamente só estou escrevendo quando ocorre um terremoto, será só coincidência? O fato é que hoje houve outro terremoto de magnitude 5.1, acho que foi o mais forte até agora, o epicentro foi perto daqui.
Voltei de minha viagem por Londres e Bancoc e minha vida volta a rotina de sempre, depois pretendo escrever sobre o que achei das duas cidades.
Why I like Japan? Because many services work better than other countries!
Por exemplo, enquanto estava em Londres meu lap-top, i-Book, deu pau e fui até a Apple Store de Londres, onde sou informado que o atendimento do suporte técnico só funcionava de manhã. Para casos de urgência, deram-me uma lista de oficinas de assistência técnica autorizadas mais próximas. Resolvi testar o lap-top na loja como ele deu sinal de vida deixei por isso mesmo. Alguns dias depois descubro que o defeito era intermitente e o lap-top voltou a não iniciar, mas não tinha mais tempo de enviar para assistência. Voltando para o Japão telefono para o suporte técnico da Apple e o técnico passa algumas instruções de teste, como elas não funcionaram, o diagnóstico foi conserto. Até aí nada de novo, era o óbvio a ser feito, minha surpresa foi que caso o problema fosse no Logic Board (Mother Board) o conserto seria gratuito, em uma autorizada a troca custaria uma pechincha de 600 doláres! Vieram buscar o lap-top na quarta passada e no sábado ele estava consertado a um custo zero.
Mais um exemplo, hoje solicitei pela net a entrega de uma correspondência registrada para hoje entre às 19 e 21 horas e não é que ela foi entregue às 18:50 do mesmo dia. Esse correio que funciona espetacularmente bem vai ser privatizado, os motivos são outros, mas será que um correio privatizado vai conseguir oferecer um serviço superior?
Depois do terremoto, um tufão está se aproximando o que significa chuva o dia inteiro...

ouvindo: [the best selected:thai rock]

Tuesday, 16 August 2005

Terra em Transe 2
E os tremores não cessam por aqui! No começo do mês houve dois tremores, um no sábado e outro no domingo. Hoje, esse que foi em Província de Miyagi, mas que pode ser sentido também em Tóquio.
Segundo os especialistas a cada intervalo de 30 anos ocorre um grande terremoto no mar de MIyagi, por causa do movimento das placas tectônicas. A discussão que se formou é para saber se o terremoto de hoje faz parte dessa sequência, ou vai haver outro grande terremoto. Espero que o próximo seja daqui a 30 anos, o que não quer dizer que Tóquio esteja a salva de outros abalos!

Monday, 25 July 2005

Terra em Transe
No sábado (23/7) a terra tremeu em Tóquio, foi o terremoto mais forte desde 1992, 6 graus na escala Richter. No instante do tremor eu estava trabalhando no décimo primeiro andar do KDDI Building, sem grandes traumas, mas o pior foi que mesmo 4 horas após o abalo, que deve ter demorado uns meros 20 segundos, todas as linhas de trem e metrô estavam rodando com velocidade reduzida e fora dos horários. A impressão que tenho é que a frequência de ocorrência de terremotos está fora do normal. Será que é um aviso antes do "Big One"?
Como desastre pouco é bobagem, um tufão está se aproximando da cidade, sua chegada está prevista para amanhã. Por conta disso, já está chovendo por aqui.
Minhas aulas terminaram semana passada e estou oficialmente em férias.
A Lu passou por aqui no início do mês. Quando ela chegou fiquei de ir encontrá-la na estação, mas como as coisas por aqui são complicadas, as estações de trem e metrô possuem várias saídas, e eu não esperava que ela saísse de dentro da estação, rolou um desencontro inicial. Nos dias seguintes, visitamos alguns pontos turísiticos de Tóquio, a Lu derrubou meu vaso de cactus, mas eles sobreviveram a tentativa de assassinato.
Na quinta, eu, a Lu e a Bia vamos ao Museu do Studio Ghibli.

Tuesday, 15 March 2005

sideway
Ontem fui assistir o filme Sideway que ganhou o oscar de melhor roteiro adaptado. O filme nem é ruim, mas não estava muito no clima. Na semana passada estava muito estressado e por isso queria ter assistido algo mais comercial para poder relaxar um pouco. Então porque fui assistir? O Tomo me convidou e como na maioria das vêzes ele escolhe filme legais, aceitei o convite sem pensar muito.
Antes disso fomos almoçar no Barbacoa Grill, churrascaria em Omotesando, que é tipo Oscar Freire de São Paulo. O buffet de salada estava variado, mas os pratos para acompanhar o arroz com feijão não combinavam muito, tinha até um cozido com tôfu! Segundo o Tomo um cliente estava a vomitar no toilet, não entendo como alguém pode passar dos limites no almoço de segunda-feira!
Na saída do restaurante descobri que um edíficio para uma marca de roupas do Toyo Itoh tinha sido terminado. No verão quando fazia um tour por Omotesando com a Aya e o Oliver ele ainda estava em construção. Aproveitei para ver como tinha ficado o interior e acho que não era o único arquiteto por lá.
Semana passada estava exausto e comecei a semana apenas cansado, então acho que estou melhor.
Quando fui fazer a mudança de endereço na prefeitura disseram-me que o carteira do seguro nacional de saúde ficava pronta em 20 minutos e que eu poderia esperar ou eles enviariam depois pelo correio. Pois bem, já se passaram 2 semanas e não recebi nada ainda! Amanhã vou reclamar, isso aqui está cada vez mais a se tornar parecido com o Brasil!

Wednesday, 9 March 2005

mestrado
O resultado do mestrado foi divulgado na semana passada e estou correndo para juntar toda a documentação da matrícula. Não é que pediram para entregar novamente o certificado de conclusão e histórico escolar originais!?!? No final decidiu-se que não seria necessário, mas como o seguro morreu de velho vou pedir mesmo assim. Ouviu, Márcia?
Estou trabalhando muuuuito mesmo, preciso dar uma parada com o part-time e voltar a estudar!

Friday, 4 March 2005

mi casa, su casa
Hoje amanheceu nevando em Tóquio, ops, Wako. Tirei algumas fotos, mas só vou poder postar quando estiver conectado à internet de novo. Essa neve fora de época já está cansando!
No dia 28 de fevereiro, segunda-feira, mudei para o novo apartamento. Foi uma mudança atípica à partida, pois fiquei a madrugada inteira empacotando as minhas tralhas e não foi uma mudança entre dois pontos, mas três. Uma amiga indiana do Tomo mudou-se para Formosa e queria se desfazer de alguns móveis, como eu precisava mobiliar o apartamento aproveitei a chance, mas como ela morava no extremo sul de Tóquio e eu na região noroeste não foi muito prático. Além disso, o encarregado da mudança atrasou uma hora, mas no final tudo correu bem e já estou bem abrigado.

Friday, 25 February 2005

terremoto, neve...
Quando houve o terremoto na província de Ibaraki, aqui em Tóquio também deu para sentir um baque forte. Eu até acordei, coisa que não costumo fazer. Tudo bem que nem me prontifiquei a abrir os olhos, mas mesmo assim fiquei atento.
Ontem à noite nevou forte e hoje está fazendo um frio de transformar pinguim em picolé... É a quarta vez que neva neste inverno, se não me falha a memória, coisa incomum em Tóquio.
Último post escrito no dormitório, minha assinatura da internet se encerra daqui a meia hora. Acho que vou ficar sem internet em casa por algum tempo, vai rolar uma crise de abstinência!
Segunda, finalmente, estou me mudando para o apartamento novo.

Monday, 21 February 2005

Japanese way of life 3

Zero Gravity by Roger Dahl

quid pro quo: something that is given to a person in return for something they have done.
squid: a sea animal with a long body and ten arms situated around the mouth, or this animal eaten as food.

Sunday, 20 February 2005

"Todos são estranhos como eu"

Histórias da vida cotidiana
Paul Auster fala sobre livro que organizou com relatos verdadeiros de não-escritores dos EUA

Cassiano Elek Machado

Paul Auster é um sujeito que cata a poesia que entornam no chão. Seus nove romances e o outro punhado de livros que publicou sempre nascem das histórias fortuitas que apanha nas ruas ao acaso. Não por acaso, é ele, o acaso, um tema central em sua obra.
Em 1999, este colecionador de imprevistos particulares resolveu mergulhar no fortuito das vidas alheias. Atendendo a convite da NPR, a rádio pública norte-americana, organizou um programa mensal no qual convocava ouvintes de todos os estados americanos a enviarem relatos de histórias que haviam vivenciado.
O escritor norte-americano de 58 anos viu-se rapidamente às voltas com uma avalanche (chega de "tsunamis", por favor) de relatos de todas as espécies.
Todos os dias, por volta do meio-dia, pegava um ramalhete de histórias em uma caixa postal alugada para o projeto e fazia dos relatos seus companheiros de almoço. Almoçou durante quase dois anos com mais de 5.000 estranhos, de todas as profissões, Estados e idades.
No seu escritório, ele conta que organizou três cestas, com as inscrições "definitivamente boas", "quem sabe" e "não". "A cesta do "não" era a que transbordava?", questiona a Folha. "Ah sim, eu tenho de admitir que a maioria não prestava. Mas ainda assim havia uma quantidade de "definitivamente boas" que fazia a história toda valer a pena", conta a voz de crooner do escritor, por telefone, de sua casa, no Brooklyn (NY).
Estas "definitivamente boas" foram pelo mesmo vozeirão lidas nas rádios americanas e depois agrupadas em um livro. "Achei que Meu Pai Fosse Deus", título de uma das histórias que recebeu, é o nome deste volume, que a Companhia das Letras lança na próxima semana no Brasil.
Divididos em dez compartimentos, como "animais", "objetos", "guerra" ou "sonhos", os relatos compilados por ele, quase todos em linguagem bem pouco literária, vão do zen ao bizarro, do épico ao comezinho. Vê-se a mão do escritor neles. Auster um dia, depois outro dia, catando a poesia que entornam no chão.
 
Folha - Este projeto deve ter lhe ajudado a entender como pessoas que não são escritoras contam uma história. Que elementos você encontrou em comum entre esses amadores e quais os problemas mais freqüentes que eles demonstraram para se expressarem?
Paul Auster - É interessante que de modo geral as pessoas reunidas no livro podem não produzir alta literatura, mas fazem histórias muito funcionais. O que descobri com as milhares de histórias que li é como separar as ruins das boas. As ruins parecem ter sido escritas por pessoas muito preocupadas consigo mesmas, pessoas que alardeavam muito coisas como "meu avô era o melhor avô que já existiu". É algo irritante. Já as boas histórias eram feitas para as outras pessoas. Partiam do pressuposto "eu sou um ser humano, você que vai ler isso é outro ser humano, deixe-me contar algo que aconteceu comigo e que pode te interessar; quem sabe não aprendemos algo sobre a vida e a humanidade se fizermos isso".

Autor afirma que relatos mostram que não há pessoas comuns e servem de protesto contra cultura besta dos EUA

Folha - Se fosse usar esta experiência como base para um curso de narrativa ou para um livro que ensinasse a escrever, quais lições seriam as mais importantes?
Paul Auster - Seria instrutivo recomendar que o escritor abraçasse com firmeza seu assunto, sem muitas digressões. Se você tem algo para contar, é interessante que o faça da maneira mais econômica e graciosa possível. Muitas vezes, quando a pessoa vai escrever sobre ela mesma, acaba perambulando a esmo, sem saber o que dizer. O que distingue este grupo que reuni é que eles sabiam. Tinham uma história para contar e perceberam que o conteúdo era mais importante do que a forma como contavam. E isso serve para toda a boa escrita.

Folha - Alguns temas caros à sua ficção, como a força do acaso, aparecem muito nas histórias. Os leitores de Paul Auster vão achar a mão de Paul Auster no livro, não?
Auster - Não tenho dúvidas. Se fosse qualquer outro escritor que selecionasse as histórias, faria um livro totalmente diferente.

Folha - E o que o levou a fazê-lo?
Auster - Foi uma espécie de experimento filosófico. Queria descobrir se as outras pessoas experimentavam a vida de modo tão estranho quanto eu. Descobri que sim, que todos são estranhos como eu. Descobri ainda que as chamadas pessoas comuns não são comuns coisa nenhuma. Todos têm uma vida interior muito rica. O que sinto você sente e o outro também. Estamos todos conectados de algum modo.
Mas esta experiência confirmou também meu sentimento de instabilidade e imprevisibilidade da realidade. Foi algo um pouco assustador. Mostrou que andamos mesmo sobre um chão nada sólido, que a terra pode abrir a qualquer momento e nos engolir.

Folha - Não foi difícil para alguém que escreve centrado quase que exclusivamente nas experiências pessoais ficar submerso nas vivências de tantas pessoas?
Auster - Não, me diverti bastante. Eu me sentia como se estivesse ouvindo milhares de conversas.

Folha - Você recolheu histórias de quase todos os lugares dos EUA e de pessoas de todas as profissões e idades. Você acha que conseguiu um retrato fiel da América?
Auster - Acho que consegui de alguma maneira ir contra uma espécie de transe que envolve a cultura americana hoje. Atualmente tudo gira em torno de fama, celebridades, fofocas, uma cultura do lixo que temos produzido aos baldes. Achei que seria interessante ouvir as pessoas comuns, fazer um tipo de protesto singelo contra esta besta na qual se transformou a cultura americana.

Folha - Você imagina que algum desses contadores de histórias que reuniu no livro tem qualidades para se tornar um autor profissional?
Auster - Uma parte deste grupo acho que já vinha escrevendo há anos. Não necessariamente publicando, mas escrevendo secretamente. Os melhores textos acho que vieram deles. Alguns poucos são jovens e muito inspirados. A moça que escreveu o último texto do livro, o último que li no rádio, escreve lindamente. E ela tem 24 anos. Há muito potencial aí. Outros, sobretudo os mais velhos, contaram sua única história.

Folha - Uma das suas únicas exigências para os colaboradores do projeto era que escrevessem histórias reais. Você acredita que as selecionadas eram verdadeiras?
Auster - Tenho certeza absoluta. Estou 99% seguro disso. As boas histórias que pareciam mais forçadas passaram por uma checagem pessoal. Escrevi para os autores perguntando se tudo aquilo acontecera de verdade. Em alguns casos os autores confessaram que inventaram tudo ou alguma parte delas. Uma mulher, por exemplo, havia escrito como se fosse sua filha pequena. Quando soube, tive de descartar o texto.

Folha - Da última vez que nos falamos, em Parati, você disse que estava escrevendo uma comédia que terminava na manhã do 11 de Setembro. Como está o livro?
Auster - Terminado. Acabei agora no outono. Vai sair aqui só no final do ano e se chamará "The Brooklyn Follies" (as asneiras de Brooklyn). Mais eu não conto.

Folha - E, depois do livro, o que você andou fazendo?
Auster - Eu me dediquei a um roteiro de cinema, que acabei agora mesmo. Quero dirigir outro filme. Estou me ocupando do elenco. Não sei se vou conseguir filmar, mas tenho de tentar. O tema e o título são segredo. Depois eu conto também.

ACHEI QUE MEU PAI FOSSE DEUS. Organizador: Paul Auster. Tradução: Pedro Maia Soares. Editora: Companhia das Letras. Quanto: R$ 49 (400 págs.).

Folha de São Paulo Ilustrada 19/02/2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1902200506.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1902200507.htm

Saturday, 19 February 2005

no smoking
Hoje de manhã estava nevando fraco e fazendo muito frio. Agora só está muito frio.
Acho engraçado a separação entre fumantes e não fumantes aqui no Japão, na maioria das vezes essa separação não faz o menor sentido. Por exemplo, uma vez fui almoçar num restaurante especializado em 'curry', pedi uma mesa para não fumantes, e qual não é a minha surpresa ao perceber que a área de não fumantes era separada da área de fumantes apenas pelo corredor de passagem! É comum, também, as duas áreas serem separadas apenas por uma divisória vazada. Só a rede de 'fast food' MOS Burguer é que está a levar a sério a separação criando ambientes fechados, vedados, para fumantes. Outro fato interessante é que muitas vezes a área para não fumantes normalmente fica vazia. Coisas de Japão!

Airline Food é um fotoblog com fotos de refeições servidas em avião.

Wednesday, 16 February 2005

Gripado
Semana passada vi dois filmes. Um deles japonês, Pacchigi, do diretor Kazuyuki Izutsu, que é famoso por falar mal dos filmes dos outros diretores. Achei o filme ruim, daria mais certo como uma novela japonesa. A história é simples, na Quioto de 1968 um estudante de colegial japonês se apaixona por uma descendente de coreanos que estuda numa escola para coreanos. A clássica história de rapaz de classe média que se apaixona por moça pobre, lembrou-me West Side Story, também havia briga de gangues. O filme pega a onda do boom de filmes coreanos que vive o Japão.
O outro filme foi melhor, estilo Cinema Paradiso, mas sem ser tão bom, A Touch of Spice (Poulitiki Kousina). É a história de um garoto, Fanis, que vive com a família em Constantinopla (Istambul) e passa seus dias na loja de especiarias de seu avó, ouvindo suas histórias e aprendendo os segredos dos temperos. Quando se inicia o conflito entre gregos e turcos, sua família é obrigada a partir para Grécia, mas seu avó permanece em Constantinopla, prometendo viajar à Grécia depois. Depois de 35 anos, já adulto, Fanis retorna a Istambul para reencontrar seu avó que está no leito de morte e seu passado.

Aluguei um apartamento na Província de Saitama, na cidade de Wako, cidade-dormitório de Tóquio. Estarei me mudando no final deste mês. A dona construíu o prédio especialmente para alugar para estudantes estrangeiros. No Japão não é fácil encontrar apartamentos que podem ser alugados por estrangeiros, por exemplo, próximo do meu dormitório há várias imobiliárias, numa delas estava escrito claramente que só alugavam para japoneses. Eu moro num dormitório, onde a maioria dos estudantes é estrangeiro, e existe um choque cultural, não vou mentir, e até entendo o ponto de vista dos japoneses, mas mesmo assim discordo. De qualquer forma, o que levou-me a decidir mesmo foi o valor do contrato, um mês de luvas, depósito (caução) e aluguel adiantado, como não houve intermediação de uma imobiliária não precisei pagar mais um mês de aluguel; o custo de vida mais barato; e a variedade de restaurantes próximos à estação de metrô. Explico, quando não estiver disposto a cozinhar não terei grandes problemas com as minhas refeições.

ouvindo: [how to dismantle an atomic bomb:u2]

Monday, 7 February 2005

New Year...
Outro dia, eu estava na sala de computadores escrevendo um "report" de final de semestre, quando entra um japonês falando sozinho, pelo que entendi ele estava falando com um amigo fantasma!!! Até aí tudo bem, cada louco em seu galho, mas ele sentou do outro lado da bancada, a minha direita, a uns dois metros de distância. O (mal)dito não parava de falar, e alto o suficiente para atrapalhar a todos que estavam ao redor tentando se concentrar. Depois de muitas reclamações, mas muitas mesmo, ele se tocou que ele e seu amigo fantasma não estavam agradando e resolveram ir embora.

Fui avisado da entrevista para seleção de mestrado uma hora e meia antes dela ocorrer! Meu orientador me telefona perguntando se eu sabia que a entrevista ocorreria no mesmo dia, obviamente eu respondo que não, ele pede para que eu vá e que leve o portifólio junto, explico que não tive tempo de preparar nada, de quaquer forma ele pede que eu compareça, sem muita argumentação lá fui eu. Não me perguntem como foi!!!