Tuesday, 17 August 2004

Férias!!!
Depois de duas semanas de homestay de volta para o mundo virtual!
Fui para Ishikawa-ken participar do Japan Tent, programa de intercâmbio cultural promovido pela ONG Japan Tent e com apoio do governo de Ishikawa.
As fotos estão aqui.
Depois de uma viagem de 9 horas de ônibus desconfortável, houve uma espera de mais 6 horas até o início do seminário de orientação, logo em seguida houve a Cerimônia de Abertura no Auditório do Centro Cultural de Kanazawa com discurso do governador da Província, do presidente do Hokkoku Shimbun, jornal que patrocina o evento, do prefeito de Kanazawa, do representante dos estudantes estrangeiros, coral de boas-vindas dos alunos do primário, entrega de flores às famílias anfitriãs, novamente o coral, apresentação de dança folclórica da Província de Ishikawa, após um intervalo de 10 minutos, palestra de abertura, tipo 'aula magna', cujo tema foi "Costs and Benefits of Study Abroad", não é preciso dizer que dormi quase a palestra inteira, uma hora de intervalo até o início do jantar de boas-vindas, claro que antes da comilança houve os indefectíveis discursos, do secretário da cultura de Ishikawa, do reitor da Universidade de Kanazawa, do diretor do setor cultural do Ministério das Relações Exteriores, do diretor do setor de educação superior do Ministério da Cultura e Ciência, da presidente de uma ONG ambiental, mensagem especial do funcionário da Agência de Cooperação Internacional do 'Kyrgyzstan', de onde surgiu a figura 'i don't know', finalmente depois do estômago já estar grudado nas costas há muito tempo, houve o brinde e o estouro da boiada, digo dos estudantes se servindo com comida boa, devia estar ou era muita fome, cerveja quente e sobremesa, que não comi, pois a mesma desapareceu em questão de milésimos de segundos, muito antes de eu chegar próximo da mesa de salgados, no intermezzo uma apresentação de 'taiko' (tambores), apesar da disposição da galera que pedia bis, tudo no Japão é cronometrado e por volta das 7:30 horas o jantar terminou, voltamos para o Centro Cultural para buscar a bagagem e dirigir-se para os respectivos hotéis, que para minha sorte o meu era do lado do Centro Cultural, dividi o quarto com o Júnior, bolsista de Brasília do Monbukagakusho, que está estudando em Nagoya, dois brasileiros no mesmo quarto foi conversa até uma da manhã, isso porque estava cansado, e foi o fim de um longo, longo, longo dia.
No dia seguinte 'morning call' às 6:45, café às 7, check-out por volta das 7:30, e a primeira palestra às 9:30, espera de duas horas, sem comentários, tema "Japanese Spirit and Spirit of Hospitality", como o palestrante era de Letras e normalmente a língua japonesa não preza pela objetividade, com certeza um 'hand-out' ajudaria bastante, às 11:30 palestra cujo tema foi "Spirit of Handicraft", no qual eu dormi descaradamente, pausa para o almoço, um obentô (marmitex) não foi suficiente, na cara-de-pau fui pedir mais um e as meninas foram legais e me deram outro que dividi com o Júnior que também é um esfomeado, às 14:00 cerimônia do chá no santuário Shirensha, sem ar condicionado e na posição de 'seiza', ou seja sentado sobre as pernas, não demorou muito para nós ficarmos em 'seiza' só quando servia-se o 'macha' ou para fotos de jornal, antes do 'macha' serviram-nos doces que continham uma quantidade absurda de açúcar, provavelmente para contrastar com o amargo do 'macha', depois da cerimônia tirei algumas fotos do interior do santuário, às 15:30 partimos para a península de Noto e até o destino final, Uchiura, foram três horas de viagem, eu e mais três estudantes fomos recepcionados na prefeitura com buquês de flores entregues pelas respectivas famílias anfitriãs e claro mais discursos, só por volta das 8 da noite que eu e a Imu (Tailândia) chegaríamos na casa de nossa família, nossa mãe mostrou-nos os quartos, banheiro, etc, a Imu foi a primeira a tomar banho, como boa representante da classe demorou bastante, o jantar foi servido com muita comida que se seguiria nos dias seguintes.
Os três dias que ficamos com a família Funaki foram bastante corridos, com muitas visitas a lugares turísticos e invariavelmente com muita, muita, mais muita comida mesmo. Do domingo à noite para segunda eu fiquei com indigestão e dormi muito mal! O legal foi fazer tôfu (queijo de soja), que eu tinha uma vaga idéia de qual era o processo, pois minha mãe fazia tôfu caseiro, mas minha participação se resumia a moer a soja. Como coagulante usa-se água do mar retirada de uma profundidade de 300 metros, processo totalmente natural, só não sei se a soja era transgênica. Esse fato histórico foi publicado no jornal da província, eu fui entrevistado, mas não tenho cópia do artigo. Depois houve um jantar de boas-vindas com discursos, em que foi servido o tôfu que preparamos e tantos pratos diferentes que não consegui comer todos, detalhe enquanto preparávamos o tôfu acho que devo ter comido um quarto de melancia de lanche. No dia seguinte, voltamos para Kanazawa para ficar hospedados com uma nova família.

ouvindo: [pizzicato five jpn:pizzicato five]

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