Monday, 24 May 2004

Workshop in Yamanashi Prefecture (Province)
Semana retrasada eu encontrei minha amiga Jee Hung, fazia um ano e meio que não nós víamos, e ela me contou que sua mãe telefonara pro Brasil depois de receber a lista de endereço de ex-alunos do curso de japonês da Waseda. Realmente, em março minha irmã falou que alguém do Japão tinha telefonado e queria falar com minha mãe, isso foi o máximo de informação que minha irmã conseguiu entender. Domingo retrasado a mãe da Jee Hung telefonou e conversamos durante alguns minutos e ela me convidou pra visitar Busan, na Coréia, que foi uma das cidades-sede da Copa de 2002.
Mais notícias da Coréia, dia 22, foi o casamento de minha amiga Young Shin. Ela me enviou um convite, mas não fui ao casamento (mesmo porque era em Seul) e fiquei devendo um presente.
Hoje recebi algumas fotos que a Ayako, a filha do Prof Kodama da Osaka City University, me mandou. Ela voltou a estudar e está fazendo um 'part-time' numa peixaria, também me convidou pra conhecer Shimane-ken.

No final de semana fui pra Yamanashi-ken (fotos) participar do workshop organizado pelo Prof Oiwa, pai do meu amigo Rei (pronuncia-se como o 'le' português, mas com um som próximo ao 'r' inglês). O workshop era a construção de uma 'straw bale house' (fardo de palha) com a participação não só de técnicos (arquitetos), mas dos carpinteiros, do pessoal contratado e voluntários. A minha idéía inicial, quando o Prof Oiwa falou sobre 'straw bale house' e do workshop, era que seria uma casa construída com o método 'straw bale' auto-portante, por isso eu estava muito curioso pra ver o resultado final. Na verdade, o projeto é um híbrido, por causa dos problemas de aprovação na Sehab do Japão, de arquitetura em madeira e arquitetura em terra. A estrutura foi construída em madeira, usando-se o método tradicional japonês de encaixe com o uso reduzido de pregos, o mínimo essencial, e as paredes externas são de 'straw bale' revestidas com terra. Basicamente, a fundação e a base são em pedra, pra evitar os problemas com a umidade; e o 'assentamento' dos fardos, de aproximadamente 60 centímetros de largura, é igual ao da parede de tijolos. Depois que a parde estiver pronta, ela será revestida com três camadas de terra, que eu acho que vai ser a mesma coisa que chapisco, massa fina e massa corrida. Segundo o Prof Oiwa, não vai haver nenhuma proteção externa, só uma mistura com terra das montanhas. Eu esqueci de perguntar se a terra das montanhas permite uma resistência maior à chuva, mas como eu havia perguntado sobre esse problema, acho que sim.
Na verdade, no sábado, enquanto trabalhava, eu não havia entendido os problemas construtivos, deu pra ver que muita coisa estava sendo resolvida na hora, no canteiro. Só à noite conversando e vendo os livros que tratam do assunto que consegui entender qual era a lógica de construção, e que o método construtivo não foge do tradicional. Afora as questões ecológicas, a idéia é adaptar o método a tradição japonesa de construção, por isso usar o bambu pra fazer a amarração e ter a mesma função da tela da argamassa armada. Foi uma experiência legal pra ver a interação entre quem projeta, quem constrói e os voluntários leigos, de resto eu gosto dessas coisas de construção, faça você mesmo, marcenaria, etc. E deu pra sentir na pele o problema de canteiro desorganizado e como sofre o pedreiro, porque choveu a maior parte do dia e a maioria das atividades teve de ser feita debaixo da cobertura já construída, onde estava armazenados os fardos. Quem quiser saber mais sobre o método 'straw bale' visite o site do U.S. Department of Energy.

ouvindo: [pizzicato five tyo:pizzicato five]

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