Tuesday, 18 May 2004

tsuyu [梅雨]



In many cases the ‘oku’ [the interior] has no climax in itself as the ultimate destination begins to be unfolded. One rather seeks drama and ritual in the process of approaching it.
What matters is not absolute height or bulk but the representation of reaching the goal. Many a path to a temple or shrine turn and twist; a slight difference in undulations or perhaps the existence of a tree offers everchanging vistas. It is the construction of a spatial experience with a time parameter. The ‘torii’ (gates) of a shrine are another example in this ceremony of attainment.

[Fumihiko Maki, “Japanese city spaces and the concept of oku”. The Japan Architect, May 1979, n. 265.]


O trecho acima foi retirado de um texto do arquiteto Fumihiko Maki, que li para minha pesquisa. Eu achei bastante interessante a questão da experiência espacial em função do tempo, pois o fator tempo ao se projetar limita-se ao prazo de entrega, nunca numa experiência espacial! Desmintam-me os arquitetos praticantes. A leitura foi válida, pois me esclareceu muitas coisas, por exemplo, ao visitar um templo vou poder contemplar melhor o entorno da caminhada (espaço-tempo). Creio que agora poderei enxergar coisas que meus olhos ocidentais (apesar deles serem puxados) não me permitiam ver, e principalmente não vou mais achar que estou andando demais, ou desperdiçando o meu tempo. Ilustrando o comentário acima, pode-se ver fotos dessa experiência espaço temporal no meu fotolog, quando visitei o santuário xintoísta Meiji (明治神社).

Comecei a pesquisa e agora estou sem muito tempo pra atualizar o blog, eu sei que alguns dirão que já não era sem tempo.
Sábado a Aya e o Oliver, o marido dela, me convidaram pra jantar em seu apartamento. Além de mim se encontravam a Momoko, amiga da Aya que trabalha na Toyota, e Neeraj, um indiano vizinho deles, que é CEO de uma empresa de IT. O cardápio foi cozinha étnica do Sudoeste Asiático, havia pilaf e ‘raw spring roll’, que é um ‘spring roll’ sem fritar, recheia-se o papel de arroz com verduras, camarão, etc, e depois de enrolado, molha-se no molho. A noite foi bem divertida e o Oliver é muito parecido com o Robin Williams.
Virei consultor de japonês de meus vizinhos de quarto: Fahim (Bangladesh) e Olalekan (Nigéria), eles sempre têm alguma dúvida com relação a como usar os eletro-eletrônicos, correspondência de banco, conta de celular, etc. Outro dia ajudei o Fahim com o seu powerbook G4 novo e mais os milhares de acessórios, pela quantidade de coisas que ele comprou, realmente eu não sou nenhum pouco consumista! É claro que também fiquei com uma vontade de comprar um powerbook.
Ontem fui buscar meu ‘Alien ID Card’, também conhecido como ‘ET ID Card’! Demorou um mês pra ficar pronto, e desta vez solicitei a inclusão do meu nome em kanji, pois afinal de contas e o único lugar onde eu posso utilizá-lo.
Estamos na estação das chuvas, tsuyu (梅雨), que significa dias e dias e dias nublados e seguidos de chuva. Diferentemente de São Paulo, onde a chuva se concentra no final da tarde, aqui chove quase o dia inteiro o que faz com que os dias se tornem depressivos. O pior mesmo é o mormaço, indicando que o verão está chegando. Aliás na conversa de sábado no apartamento da Aya, surgiu uma discussão sobre os ocidentais serem emocionalmente instáveis, como uma curva senoidal. Segundo a Momoko, uma romena que trabalha com ela entra em crise todo ano no tuyu, situações do tipo como: não aguento mais usar capa de chuva, quero voltar pra Romênia, etc. Em geral. os japoneses não demonstram as variações de temperamento.
Encontrei o Juan, meu amigo peruano, por acaso, no campus da Waseda. Ele vai ficar duas semanas na casa de um amigo e depois se muda pros Estados Unidos, vai trabalhar numa imobiliária em Nova Iorque. Cansou do Japão. Almoçamos juntos, aliás eu almocei ele só me acompanhou, comi um karee-raisu que não pretendo repetir, estava muito ruim, péssimo.
Hoje eu tinha atendimento com o Prof Ishiyama, mas a secretária ligou avisando que ele não poderia ir pra faculdade. Aproveitei, então, pra colocar em dia as tarefas domésticas, lavar roupa, limpar o quarto, organizar minhas coisas, e principalmente costurar uma calça que comprei no Brasil e foi rasgar aqui no Japão. Ter um kit de costura ajuda muito, pois eu sempre preciso fazer algum reparo em minhas roupas.

ouvindo: [best of new order:new order]

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