Hoje esta nublado e chuviscando por aqui. Desde que eu cheguei o clima em Toquio esta muito parecido com o de Sao Paulo. Dias quentes seguidos de uma repentina frente fria com chuva. Ontem fez um lindo dia de sol e hoje esse tempo nublado. E o que eu sempre digo, quem viveu em Sao Paulo sobrevive em qualquer lugar do mundo!
Como escrevi acima, ontem foi um dia ensolarado e aproveitei pra explorar o bairro de bicicleta (nao me perdi tanto desta vez, apesar do mapa que estava portando ser falho). Peguei emprestado o livro "Tokyo Map Architecture" na biblioteca e fui visitar algumas obras que constavam no livro e que ficavam aqui perto. A primeira parada foram 3 edificacoes: um edificio de apartamentos, um atelier pra exposicoes e um estudio fotografico, todos do mesmo arquiteto, Masayuki Kurokawa, irmao do Kisho Kurokawa. Quando estava tirando algumas fotos o dono do estudio fotografico veio conversar comigo e foi super gentil explicando os projetos e ate me apresentando pro dono do atelier. O atelier e pra expor as obras da esposa, que e escultora, segundo ele sempre vem estudantes de arquitetura visitar o lugar. Acho que ele tambem e dono do edificio de apartamentos, pois ele me disse que se eu quisesse poderia visitar um apartamento que estava vago e que ele deixava aberto pra nao ter que subir sempre que viesse um provavel inquilino. As outras edificacoes eram normais e tambem nao aconteceu nenhum fato interessante.
Saudosismo. Fui visitar o Kokusai Gakusei Kaikan (International Student Dormitory), um dormitorio para estudantes japoneses e estrangeiros, onde morei na primeira vez que vim ao Japao, e descobri que ele tinha sido demolido e em seu lugar construiu-se um edificio de apartamentos. Segundo o ojisan (senhor de idade) vizinho da frente faz uns 4 anos que o dormitorio foi demolido, a ultima vez que tinha estado la foi em 1997 com a Marcia. Depois fui tomar um cafe no MOS Burguer, fast food japones, que ainda estava no mesmo lugar!
Conversei com minha irma no sabado e a reforma da minha casa parece que vai se estender 'ad eternum'! O que deveria ter acabado na semana retrasada ainda nao acabou, entao as outras coisas a mais que eu tinha pedido pra fazer vai demorar ainda mais. Espero que ate a metade do mes de Maio tudo esteja terminado. Ainda bem que nao estou la, seria muito stress!
Depois de uma semana, ainda nao posso usar a geladeira, mesmo depois de limpa-la e colocar produtos desodorantes ela continua com um mau cheiro. Isso tudo porque provavelmente depois de usada ela ficou muito tempo fechada.
Outro dia o Tomo reclamou que ja eram 20h30 e ele ainda estava trabalhando. Uma amiga me disse que um amigo nosso em comum, que estudava portugues quando eu ajudava como voluntario, pasmem (eu e minha mania de arcaismos) trabalhava normalmente ate a 1 da manha!!! Nao e de se admirar que os jovens japoneses prefiram um part-time e usar o tempo livre em proveito proprio, a um emprego fixo com uma carga horaria extenuante. Esses jovens sao chamados de "furiitaa" (juncao de "free" + "ter" de "arbeiter", trabalho em alemao, logico que a pronuncia esta niponizada), esse fenomeno comecou com os artistas e musicos, que trabalhavam como part-time enquanto nao conseguiam viver como artistas e musicos profissionais, e se espalhou entre os jovens que contestavam o "japanese way of life". Pra mim, isso rendeu duas monografias meia-boca em japones (como aprendi na FAU sempre e possivel reciclar trabalhos), e alguns contatos, mas gostaria de ter tido mais tempo pra poder fazer muuuitas entrevistas e coletar mais dados, talvez assim a monografia ficasse mais consistente.
Acho que nao comentei, mas o alojamento e junto com um jardim de infancia, entao de manha e aquele barulho de criancas correndo no patio. Agora e a aula de musica, pois a professora esta tocando piano.
mame chishiki
Karoushi (過労死): morte por excesso de trabalho. As companhias japonesas obrigam os funcionarios a cumprirem jornadas exaustivas e o excesso de trabalho, cansaco fisico e o stress no seu extremo resultam em morte. Nos processos abertos pelas esposas e familiares o empregador alegava que nunca obrigou o funcionario a trabalhar mais que o permitido e que ele fazia isso por conta propria. Ate onde eu sei nenhum processo havia sido ganho pelos familiares.
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